Daniela Rico, parceira do Mais Vida Gestantes em Brasília fala sobre benefícios do exercício na prevenção da depressão

A Professora Daniela Rico, é idealizadora e diretora do programa Dani Rico em Brasília, parceira do Mais Vida Gestantes.

A parceria lança agora em novembro o I para a certificação de profissionais para atuarem com a prescrição de exercícios na gravidez e pós-parto

 

Depressão durante a gravidez pode influenciar a formação dos bebês

“Especialistas ressaltam a importância de exercícios físicos e de relaxamento para uma gestação tranquila”

Publicação: 31/08/2010

Rayanne Portugal – Especial para o Correio

 

Juliana Galego, 28 anos, aguarda ansiosa a chegada da pequena Pietra, sua primeira filha. Ela acaba de completar a 29ª semana de gestação e se prepara para a chegada da primogênita com meditação, ioga e exercícios físicos específicos para gestantes. O objetivo da empresária é manter o estresse controlado para que, antes e depois do nascimento, Pietra seja um bebê calmo e saudável. “Sou muito agitada e a expectativa da chegada da primeira filha mexe com toda a família”, afirma Juliana. “Acredito que meu bem-estar vai influenciar diretamente a qualidade de vida dela. Os exercícios de ioga e meditação que faço são fundamentais para dialogar com minha bebê. Quero que ela sinta todo o carinho e amor que tenho por ela e sinta-se bem-vinda”, explica.

A jovem mãe está certa em se preocupar com Pietra. A psicóloga Helena Morais, especialista em neonatologia, explica que o estresse já faz parte da rotina de grande parte das mulheres modernas, mas que, em excesso, afeta também a qualidade de vida do bebê antes mesmo que ele nasça. “É normal estar ansiosa com a gestação. O estresse vai acontecer, principalmente porque a maioria das mulheres mantém uma rotina de trabalho e afazeres pesada. No entanto, quando a angústia é muito grande e a mãe não se sente feliz, esse sentimento negativo pode ser prejudicial para o bebê de diversas formas”, diz a profissional. Helena esclarece que depressão, problemas familiares, gestação indesejada ou na adolescência são alguns dos principais casos de estresse grave que afetam as mães.

O impacto do estresse da mãe durante a gravidez sobre a criança ainda não está totalmente compreendido. No entanto, sabe-se que a comunicação entre mãe e feto ocorre durante todo o período gestacional. Assim como as substâncias ingeridas pela mãe entram em contato com o bebê pelo cordão umbilical e pela corrente sanguínea, os impulsos psíquicos e químicos causados pelo estresse serão sentidos pelo bebê. Isso ocorre porque a instabilidade emocional da mãe provoca alterações neuro-hormonais e na pressão arterial.

Em quadros assim, o sistema nervoso da mãe passa a liberar em maior quantidade as chamadas substâncias catecolaminas, das quais a adrenalina é um exemplo. Essas substâncias passam pela corrente sanguínea até o bebê, provocando um estado de perturbação semelhante àquele vivido pela mãe. “O feto entra em contato com sentimentos de temor e angústia. A tristeza profunda também faz com que a mãe se isole, mostrando-se pouco disponível. A comunicação entre mãe e filho se perde. A disponibilidade da mãe é fundamental para que ocorra o desenvolvimento psicoafetivo do indivíduo. Se o estado emocional da mãe não favorece a comunicação, ela deixa o bebê sozinho e inseguro”, explica Helena Morais. Em casos extremos, o hormônio cortisol, também liberado durante períodos de longo e forte estresse, ao chegar ao cérebro do feto, pode causar mudanças funcionais e estruturais.

Prazer

Para evitar o aumento exagerado de estresse, a mãe deve investir na própria qualidade de vida e na comunicação com o feto. “Tirar alguns momentos do dia para conversar com o bebê, fazer alguma atividade física, relaxar, ouvir música, interagir afetivamente com a criança são coisas aparentemente simples, mas que influenciam diretamente na felicidade da mãe, e consequentemente, na do bebê”, explica a especialista.

A prática de exercícios é fundamental para a mãe. Daniela Rico, educadora física e responsável por um programa especializado no preparo para a gestação, explica que a atividade física, além de fazer com que a mãe se sinta mais ativa e saudável, libera substâncias que causam prazer: a serotonina e a endorfina. “Elas vão ajudar a mãe na regulação do sono e do apetite, na redução do estresse e da ansiedade, prevenindo a insônia e a depressão.” Associada à sensação de bem-estar, a serotonina desempenha um papel importante no sistema nervoso, além do controle da temperatura corporal e do apetite. A endorfina, também produzida durante e depois da atividade física, ajuda a regular as emoções. Considerada um analgésico natural, a substância ajuda na redução do estresse e ansiedade, aliviando as tensões.

Mariana Franco, 32 anos, faz atividades físicas semanais enquanto se prepara para a chegada de Francisco. Ativa e ansiosa, ela procura relaxar com exercícios de hidroginástica e alongamento para gestantes. “Acredito que seja essencial permanecer tranquila nesse momento. Sou naturalmente estressada, mas desde que soube da chegada do Francisco busco equilibrar o humor e deixar coisas que me estressam para trás. Estou muito mais tranquila e feliz”, conta Marina, que conta os dias até a chegada do primeiro filho, no fim de setembro.

A professora Daniela Rico ajuda as alunas no programa para gestantes a fim de amenizar sentimentos de dúvida que ela mesma sentiu quando estava grávida. “Quando engravidei de Ana Júlia, há 12 anos, estava em um momento de muita instabilidade, prestes a me separar. Criei meu bebê sozinha e acho que esse momento refletiu um pouco na personalidade dela, que foi uma criança com dificuldades de concentração, um bebê que chorava bastante e parecia inseguro”, lembra Daniela.

 

Pós-parto

Psicólogos afirmam que o impacto emocional pode ser maior depois que o bebê nasce. Maria Isabel Tafuri, psicóloga e membro da Sociedade Brasileira de Estudos sobre o Bebê (Abebê), explica que o ambiente em que o bebê cresce também é fator determinante para a sua qualidade de vida. “Se a mãe passa por um momento difícil, o ambiente onde essa criança se desenvolverá propiciará maior estresse também para ela. Ele não sentirá uma relação de proteção da mãe”, afirma. A psicóloga ressalta que é importante estabelecer um ambiente de harmonia para a chegada de uma nova criança. “Não importa o tamanho da família, esta deve estar estruturada para que o bebê se sinta acolhido.”

O bebê com estresse pode desenvolver distúrbios alimentares e de sono. “O bebê que mama sem olhar para a mãe, sem tocá-la ou dialogar corporalmente com ela provavelmente não vê nela a proteção materna. O sono desse bebê também fica comprometido. Podem ocorrer interrupções no ciclo de sono, sustos, medo de dormir sozinho”, explica Isabel Tafuri.

As marcas deixadas por tais situações vão se constituir em memórias negativas para a criança, mesmo anos depois do nascimento. Helena Morais explica que, dependendo do grau de estresse vivido pela mãe e pelo bebê, algumas características podem determinar a personalidade do filho na infância. “É possível que bebês que passaram por forte estresse desde o nascimento, devido a uma depressão ou um sentimento de rejeição vivido pela mãe, tornem-se crianças inseguranças, de pouca independência em relação aos pais, com dificuldade de aprendizado e concentração.”

Essencial para a gestação é estar bem e contar com apoio. Helena afirma que toda mãe deve buscar ajuda quando sentir que tem dificuldades para lidar com a situação, seja conversando com o companheiro, com um amigo ou por meio de psicoterapia. “Procurar um profissional terapeuta em alguns casos é tão importante quanto as consultas de pré-natal”, afirma a psicóloga. Daniela Rico acredita que compartilhar os medos e as dúvidas é importante para a mulher que sofre de excesso de estresse durante a gestação. “Gosto de ajudar essas mães a passar pela gestação com mais calma e tranquilidade, passando para elas minha experiência pessoal. Tento mostrar que, apesar da angústia que passei, a felicidade de ter minha filha foi maior que qualquer preocupação ou medo”, conta Daniela.

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/08/31/cienciaesaude,i=210606/DEPRESSAO+DURANTE+A+GRAVIDEZ+PODE+INFLUENCIAR+A+FORMACAO+DOS+BEBES.shtml