Volume de Líquido Amniótico aumenta com Exercícios em Água

Profa. Gizele Monteiro

O líquido amniótico, fluido que envolve o embrião, é fundamental para o desenvolvimento do bebê e também é o principal mecanismo de defesa do feto contra possíveis traumas na barriga.

Alguns estudos tem documentado que o exercício em água durante a gravidez pode aumentar em até 21,5% o volume de líquido amniótico.

ginastica molhadaUm exemplo de exercício em água investigado é a hidroginástica e um dos estudos com essa atividade foi realizado na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Foram selecionadas 25 gestantes sadias, entre 19 e 36 anos, no Hospital das Clínicas de Campinas, sem gravidez de risco ou condições que contra-indicassem a prática de atividade física, como hipertensão arterial e história de abortos de repetição.

Segundo o professor José Guilherme Cecatti, orientador do estudo, as gestantes foram submetidas a aulas de hidroginástica três vezes por semana. O volume de líquido aminótico das mulheres era medido antes e depois da aula, que tinha 50 minutos.

“O líquido amniótico é importante para proteger o feto e também para o seu desenvolvimento. É por meio dele que identificamos malformações. É ele que realiza toda a troca de fluidos do feto, como eliminar a urina. Além disso ele contribui para a formação do tubo gastrointestinal do neném”, disse Carolina Carvalho, ginecologista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Cecatti citou um exemplo: quanto mais urina o feto eliminar, maior terá de ser a produção de líquido amniótico para que a troca de fluidos aconteça. “O líquido está constantemente sendo produzido e sendo absorvido”, disse.

“A água funciona como uma meia elástica, facilitando a circulação sangüínea. Isso faz aumentar a circulação materna e também a circulação do bebê. O rim filtrará mais sangue e conseqüentemente o bebê produzirá mais urina”, explicou o professor.

Para Cecatti, o estudo reforça a tese de que a hidroginástica não causa nenhum prejuízo nem para a mãe nem para a criança. “Ela torna-se um incentivo para a mulher grávida porque, além de fazer bem, não traz riscos ao bebê.”

Entre as mulheres analisadas, nenhuma teve parto prematuro e nenhum bebê nasceu com baixo peso. Além disso, todas as mães conseguiram manter o peso considerado ideal durante a gravidez.

Por: FERNANDA BASSETTE – Folha de S. Paulo – 26 de fevereiro de 2006