Gravidez após a cirurgia de redução de estômago

“QUANDO COMPARADAS COM AS GESTANTES OBESAS QUE ENGRAVIDAM, AQUELAS QUE O FAZEM APÓS A CIRURGIA BARIÁTRICA, TÊM MENOR INCIDÊNCIA DE HIPERTENSÃO ARTERIAL E MENOR GANHO DE PESO DURANTE A GESTAÇÃO”

Por: Citen (08/06/2009)

Cerca de 50% das cirurgias para tratamento da obesidade são realizadas em mulheres em idade fértil, muitas delas, com grande dificuldade de engravidar devido aos vários problemas causados pela obesidade que afetam a ovulação.

Quando outras formas de emagrecimento falham, as pacientes com obesidade grave podem ter acesso, através da cirurgia bariátrica, a um tratamento potencialmente efetivo, que pode resultar em perda de até 70% do excesso do peso corporal.

Com a perda de peso induzida pela cirurgia, geralmente ocorre a normalização dos ciclos menstruais, anteriormente irregulares, desaparecem os cistos ovarianos, estabelece-se a ciclicidade hormonal e a ovulação é a regra.

“Nesse novo ambiente metabólico, muitas mulheres, anteriormente com quadros de infertilidade, vêem uma possibilidade real de engravidar. É muito importante que esta decisão seja compartilhada com a equipe médica. Esta gestação tem que ser programada e assistida, devido aos vários riscos impostos pelas mudanças anatômicas e funcionais produzidas pela cirurgia de redução do estômago”, afirma a endocrinologista Ellen Simone Paiva.

Após a cirurgia, pacientes com os ciclos normalizados não encontram dificuldade para engravidar. Apesar dos riscos de anemia, muitas mulheres têm filhos saudáveis. No Paraná, o acompanhamento de gestantes que se submeteram à gastroplastia tem sido cada vez mais minucioso. Há um ano e dez meses, um caso ocorrido no Estado foi considerado o primeiro da literatura médica mundial e obteve bastante sucesso. Pela primeira vez no mundo, uma mulher que se submeteu a uma cirurgia de redução de estômago engravidou de gêmeos por fertilização in vitro.

“Devido às modificações nutricionais de quem se submete à cirurgia, situações de baixo peso e retardo de crescimento intra-uterino são esperados. Porém, no Paraná, o nascimento de um menino e uma menina na 36.ª semana de gestação, em ótimas condições de saúde e com bom peso, surpreendeu a todos e deixou os médicos bastante animados. Isso prova que as chances de uma mulher operada ter uma gravidez tranqüila e filhos saudáveis são cada vez maiores”, diz o médico.

Cuidados antes da concepção

A rápida perda de peso que se segue às cirurgias da obesidade alcança um platô por volta de 12 a 18 meses, após o procedimento.

As técnicas classificadas como by pass desviam o alimento de importantes rotas absortivas e podem levar à deficiência de vários micronutrientes importantes para a saúde materno-fetal. “As deficiências de ferro, cálcio, vitamina B12 e ácido fólico, comuns nas pacientes submetidas a essas cirurgias, são mais intensas nas mulheres que menstruam, uma vez que perdem mais ferro através do sangue menstrual”, observa a médica.

Cuidados gestacionais

As complicações da cirurgia bariátrica durante a gestação incluem a obstrução intestinal materna, geralmente devido à hérnias do intestino delgado, mais comuns nos procedimentos com laparoscopia, em relação às mulheres operadas através de abertura da parede abdominal.

Segundo a Dra. Ellen, as queixas de desconforto abdominal nas gestantes devido a complicações da cirurgia bariátrica podem passar despercebidas ou podem ser confundidas com as alterações ligadas à própria gestação como os vômitos freqüentes, refluxo, contrações uterinas e mal estar matutino.

As baixas de glicose ou hipoglicemias, tão freqüentes nas gestantes de uma maneira geral, são geralmente mais comuns e mais graves nas gestantes após a cirurgia bariátrica. Além disso, a complicação mais sintomática e desconfortável dessas cirurgias, o chamado dumping, é também mais freqüente nas gestantes. “Há que se reforçar a necessidade das refeições mais frequentes, o cuidado com o jejum prolongado e o risco dos líquidos ou alimentos sólidos ricos em açúcar. As manifestações extremamente desconfortantes do dumping dão à paciente submetida à cirurgia bariátrica a noção clara da importância do controle alimentar, tanto em relação à freqüência, como em relação ao tipo de alimentos ingeridos”, diz a médica.