Por Wagner Dantas (Doutorando em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP e Docente do Curso de Certificação em Prescrição de Exercícios Personalizados para Grupos Especiais- Personal Trainer)
Desde 1970, as doenças do aparelho circulatório têm sido o principal grupo de causas de morte no Brasil devido ao aumento da expectativa de vida e da prevalência de fatores de risco para a doença cardiovascular (DCV). A mortalidade cardiovascular total por infarto agudo do miocárdio (IAM) no Brasil em 2005 foi da ordem de 64.455 pessoas, correspondendo a 28,2% do total de óbitos no país em ambos os sexos, situando entre a segunda principal causa de gastos com assistência médica 1. De acordo com organizações médicas como American Heart Association (AHA) e Organização Mundial de Saúde (OMS) vários fatores como o tabagismo, obesidade, dislipidemias e inatividade física são responsáveis pela maior parte das mortes por DCV.

A reabilitação cardiovascular caracteriza-se por ser um processo de terapia multidisciplinar para desenvolvimento e manutenção dos níveis de atividade física. Programas formais de reabilitação cardíaca efetivamente melhoram a capacidade funcional, reduzem a mortalidade cardiovascular, melhoram os sintomas relacionados com a isquemia miocárdica, promovem reversão da aterosclerose e reduzem o risco de eventos coronarianos subseqüentes 2,3. É necessário reconhecer que os recursos monetários para saúde são limitados, seja no sistema público seja no privado. A análise de custo deve relacionar o gasto financeiro do atendimento médico com o efeito observado sobre a saúde, como melhoria na expectativa de vida e redução de mortalidade, por exemplo. A relação custo-efetividade é um dos três métodos de comparação entre tratamentos. Em Cardiologia, a avaliação em termos de custo-efetividade tem sido utilizada para a comparação entre diferentes modalidades terapêuticas, considerando o custo e o número de vidas necessárias para salvar uma vida em um ano 2. Um programa de reabilitação cardiovascular necessita de 112 a 187 pessoas 4 para conseguir salvar uma vida (NNT- number need to treat ) apenas estando abaixo dos β- bloqueadores que necessitam de 84 pessoas para conseguir salvar uma vida 5 . Os custos médios de uma cirurgia de revascularização do miocárdio e angioplastia transluminal percutânea no Brasil estão em torno de R$ 11.778,96 6 e R$ 9.234,96 7, respectivamente, não contabilizados os honorários médicos. Imaginando-se o custo de um programa de reabilitação cardiovascular em torno de R$ 500,00, o preço da cirurgia de revascularização do miocárdio pagaria quase 2 anos de um programa de reabilitação cardiovascular e a angioplastia transluminal percutânea pagaria quase 1 ano e 7 meses de um programa de reabilitação cardiovascular.
Portanto, são fortes os argumentos quanto ao grau de recomendação e nível de evidências de melhora clínica e metabólica dessa população através do exercício físico. O papel do profissional de Educação Física através do personal training é de extrema importância nessa população tendo em vista o conhecimento das particularidades da prescrição, organização, sistematização e controle do exercício físico para essa população.
Referências Bibliográficas:
1- (LOTUFO, P. A. IN: Tratado de Cardiologia da SOCESP, vol. 1, 2º Ed. Pág. 7-16; 2009.
2- REBELO, F. P. V. R. et al. Resultado Clínico e Econômico de um programa de reabilitação cardiopulmonar e metabólica. Arq Bras Cardiol 2007; 88(3): 321-328.
3- HAMBRECHT, R. et al. Percutaneous Coronary Angioplasty Compared With Exercise Training in Patients with Stable Coronary Artery Disease: A Randomized Trial. Circulation. 2004; 109:1371-1378.
4- OLDRIDGE, N. et al. Number needed to treat in cardiac rehabilitation. J Cardiopulm Rehabil. 2002 Jan-Feb; 22(1):22-30.
5- LINDSAY J. et al. Beta-blockers in heart failure. Lancet. 1999 Mar 20; 353(9157): 1011-2.
6- HADDAD, N. et al. Custos Hospitalares da Cirurgia de Revascularização do Miocárdio em Pacientes Coronarianos Eletivos. Arq Bras Cardiol 2007; 88(4): 418-423.
7- ALMEIDA, R. M. S. Revascularização do miocárdio – estudo comparativo do custo da cirurgia convencional e da angioplastia transluminal percutânea. Rev Bras Cir Cardiovasc. 2005; 20: 142-8.


