Grupos Especiais – Terceira Idade
Saber envelhecer é mesmo uma arte. Ainda mais numa sociedade que valoriza a eterna juventude, como se a velhice fosse algo a temer ou esconder. Não à toa assistimos a essa profusão de tratamentos e técnicas antiidade. Some-se a isso as dificuldades típicas da passagem dos anos e, de fato, para muitos, esse processo pode se tornar difícil. O primeiro passo é reconhecer as dificuldades do envelhecimento , ensina a psicóloga Maria Célia de Abreu, do Grupo de Profissionais para Estudos e Reflexões sobre Maturidade do IDEAC (Instituto para o Desenvolvimento Educacional, Artístico e Científico).
Esta é uma etapa de grandes transformações, em que a pessoa começa a sentir desgastes físicos, a ter limitações que antes não tinha, a sofrer perdas no trabalho, de oportunidades, de pessoas queridas. Os filhos saem de casa. É o último estágio , diz Maria Célia. Por isso é tão difícil aceitar a chegada dessa etapa. Mas de nada adianta querer segurar o processo à força, como se isso fosse possível.

O que pode ser feito sim é preparar-se para que ele seja o mais tranqüilo possível. Hoje, o envelhecimento saudável é um fator que engloba várias funções que culminam com a expectativa de vida alongada. Ele impõe não só boa condição física e mental, como também a inclusão social que lhe permita desempenhar tais funções , comenta a médica geriatra Luciane Páscoa, do Residencial Santa Catarina, em São Paulo.
É preciso investir na saúde do corpo, adotando bons hábitos desde cedo para preservar, ao máximo, as funções do organismo. Isso inclui exercícios físicos regulares, que melhoram a qualidade de vida. Após os trinta anos, o corpo humano tende a perder 10% da massa muscular a cada década e a única forma de evitar isso é fazer uso constante dos músculos.
Tão importante quanto preparar o corpo é preparar a cabeça. A participação em grupos é muito importante , nota a psicóloga Maria Célia. Além de inserir-se em equipes de terceira idade, vale fazer cursos, engajar-se em atividades dos mais diversos tipos e se dedicar ao voluntariado. O importante é não deixar a mente envelhecer. A espiritualidade também pode fazer muita diferença na hora de encarar os cabelos brancos. É a hora de devolver para a sociedade tudo o que recebeu , diz a psicóloga. Acima de tudo, é preciso ter objetivos de vida. A terceira idade está conseguindo um espaço em todas as atividades, do trabalho ao lazer. É possível envelhecer com dignidade , nota Luciane Páscoa. Envelhecer é obrigatório, crescer é opcional , ensina ela.
Como Acontece?
A velhice tem data certa para chegar: segundo a Organização Mundial da Saúde, essa etapa da vida começa oficialmente aos 65 anos ainda que alguns se sintam bem jovens nessa idade e outros comecem a sentir certos desgastes bem antes. De fato, a terceira idade não é, ou não deveria ser, sinônimo de decrepitude. Trata-se apenas de um estágio de vida. E há cada vez mais gente vivendo nessa etapa. Daí a necessidade de olhar para ela de forma especial.
Para se ter uma idéia, no começo do século XX, a expectativa de vida era de apenas 40 anos. Ao final deste século, será comum viver até 100 ou 120 anos. No ano 2000, os maiores de 65 anos eram 5% da população. Segundo estimativas do IBGE, esse número vai saltar para 18% em 2050. Esses dados, com certeza, são motivo de comemoração. Isso significa uma verdadeira revolução. Mas trazem outros problemas: afinal, ninguém quer só viver muito, mas viver bem. E isso significa preservar as capacidades físicas e mentais para aproveitar plenamente o tempo que ainda tiver pela frente.
Não à toa os especialistas insistem que as doenças não são um encargo da velhice. Claro, existem os desgastes típicos da idade, os males crônicos que estão crescendo justamente em função doenvelhecimento da população e as limitações que chegam com o passar dos anos. O maior desafio, então, é conservar a autonomia e a saúde, apesar da passagem do tempo.



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